23 de novembro de 2007

No escurinho do cinema...

"chupando drops de anis.."

Quarta, fui levar meu irmão no dentista, pra ele apertar o aparelho - pobrezinho, está à base de miojo; enquanto eu tirava um raio-x panorâmica pra remover meus amados sisos - que desde que resolveram nascer só me causam dores.
Tá, até aqui tudo bem. Aí você me pergunta: "e o que isso tem haver com cinema?", e eu lhe respondo: "Ora, bolas! Tudo..."
Bom, tanto o meu quanto o dele fica perto do Pátio Brasil Shopping - no centro de Brasília, e como lá tem a livraria Siciliano e eu sou louca pela Siciliano, fomos dar um pulinho lá. De lá, pulamos na Livraria e... da Livraria, fomos ver quais os filmes estavam em cartaz, ainda.

Então não resistimos. Resolvemos assistir a um filme bem legal e que eu ainda estou louca pra ver - você já entende a colocação do verbo estar.
Uma inteira e uma meia pra "A loja mágica de brinquedos".
Bom, era o nosso objetivo até o filme começar. Deixa eu te explicar melhor:
- Qual que é a entrada 6, moça?
- Aquela ali...
- Tá, valeu.
- Essa aqui, não é?!
- Não, aquela.
- Mas ela disse aquela...
- Mas ela tá fechada...
O filme demorou pra começar - e a gente tinha chegado atrasados e meu ovomaltine já estava na metade quando o trailer começou - um tanto quanto adulto pro meu gosto.
- Essa sala só tem velho... - falei pra ele estranhando a ausência de crianças.
- Pior né!
- Mas vai ver é porque a história é meio antiga. Por isso que a minha mãe tá louca pra ver...
Quando... no ínicio do filme, o pai do protagonista aparece com um papo: "Mas você está traçando alguém?"

OPS!!!!!
- Esse não é o nosso filme...
- Pior...

Mas ambos continuamos assistindo o filme: "Antes só do que mal casado".
Tudo bem, não é um filme pra se levar o irmão caçula de 16 anos pra ver, mas valeu ter errado a entrada. Bem divertido! Por que? Porque você ri do ínicio ao fim...

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Contos de Blog.
Caderno atualizado com três novos textos.

21 de novembro de 2007

Contos de Blog - Parte V

- Também sem sono?

Ela continuou observando as luzes lá em baixo.

- É... pensando...

- Hum... - Mateus comprimiu os lábios e franziu a testa. Se sentiu meio sem jeito e se sentou a seu lado - pensando?

- É. Não consegui dormir.

- Estranhou a cama?

Ela sorriu. Mateus começava a se sentir agoniado com aquele jeito dela de fixar o olhar em algum lugar e não olhar pra quem fala com ela. Mas ao mesmo tempo, admirava aquele jeito diferente dela.

- Não. A cama é bem confortável. É que eu me perdi nos meus pensamentos e nada do sono vir. Então, como estava fazendo calor, resolvi vir pegar um arzinho. Essa cidade é linda.

- É sim. O Rio de Janeiro tem muito mais do que a violência ou praias bonitas ou morros e favelas...

- É sim... - ela retirou os olhos da pouca movimentação das ruas e olhou para ele, sorrindo simpaticamente - e você? Estranhou a cama?

- Não a cama. O companheiro de quarto. Nunca imaginei que ele roncasse tanto. Aliás, acho que ele não ronca, deve sonhar com tratores e fica imitando seus barulhos...

Eles deram uma risada gostosa.

- Se quiser eu durmo aqui na sala. Não me importo em...

- Não, não! Relaxa. Eu me acostumo bem rapidinho. - ela olhou para cima e fechou os olhos em um movimento para sentir a brisa que batia na varanda. Mateus fixou o olhar nela e ficou com a boca entreaberta. Ele quis tomar impulso e beijá-la. Mas não podia. Ele não podia abusar da sorte. - E com o Felipe, como que foi? Ele não ficou cheio de gracinhas pra cima de você não, né?!

- Ele foi bem simpático, bem legal ele. - ela respondeu sem abrir os olhos - Já chegou me procurando, perguntou se eu estava com fome. Ele parece mesmo ser gente boa. Tem uma conversa agradável. Me falou bastante coisas da sua faculdade e eu falei um pouco da minha. Depois partirmos para os filmes e músicas... livros... ele me falou que não gosta muito de ler, só de gibis... Mas disse que você sim, você é viciado em livros e blogs... - ela abriu os olhos e olhou pra ele com uma das sombrancelhas levantadas - depois tomou banho e foi para o ateliê dele, fazer os projetos da faculdade.

- Que bom... já se deram bem logo de inicio.

- Nunca vi nenhum comentário seu no meu blog.

Ele olhou para a frente, fugindo do seu olhar.

- Nunca tive coragem pra comentar.

- Por que? - ela perguntou com um sorriso no canto da boca.

Ele deu um suspiro profundo antes de responder, ganhando tempo para pensar se falaria a verdade ou daria uma resposta incompleta.

- Não sei... você tem uma essência que toca aqui dentro - e apontou para o próprio peito - e sempre me deixa sem palavras. Se você resolver falar sobre o que sente no ponto de vista do morango, você vai conseguir me deixar sem argumentos e me fazer refletir por horas e no final, eu não vou ter mudado de opinião, mas ela não vai continuar a mesma. E...

- E...

- Sei lá...

- Mas isso, todo bom escritor consegue fazer... e crianças também...

- Tá, não é só isso. Você tem um modo de ver a vida muito diferente. Olha só você. Morava em Goiânia, se mudou pra Brasília por causa da faculdade deixando tudo por lá, sem medo de arriscar e derrepente resolveu vir para o Rio de Janeiro com a roupa do corpo e uma mochila de colegial nas costas... e mesmo assim consegue ver a beleza do Rio de Janeiro às três horas da madrugada de uma quinta-feira, num calor infernal e com tantos problemas aí dentro. Incluindo a saúde. É dessa essência que eu falo. Você sabe o quanto viver é complicado...

- mas faço o possível para viver sua simplicidade...

- atenta a tudo o que ocorre ao seu redor.

- Ainda fico meio impressionada em como sabe tanta coisa assim de mim.

- Os sites de buscas são a oitava maravilha que Deus permitiu o homem criar. Pesquisei inúmeras vezes seu nome tentando compatiliza-lo com seu blog. Até que um dia achei o seu sobrenome e... fui pesquisando e pesquisando e sempre sabia algo a mais de você. Vi seu nome em projetos com orfanatos e em fundações de ajudas a crianças carentes, inscrições em vestibulares e um apartamento no seu nome, a matrícula em um colégio de freiras, concursos de literatura...

- É... e isso porque não divulgo muito o meu eu. É por isso que vivo a falar o quanto a Internet me dá medo. E se você fosse um maníaco?

- Mas eu sou um maníaco. Ou você acha que não vou cortar seus cabelos enquanto estiver dormindo, amarrar você de cabeça pra baixo nessa varanda e cortar as cordas para lhe ver caindo lá em baixo?

Eles riram.

- Ou melhor... vou lhe matar... - Mateus fez um cara maléfica - só que de cócegas. - Mateus começou a fazer cócegas na barriga de Helena, a deixando totalmente sem força e fazendo com que se contorcesse. Até que as risadas despertaram a voz do vizinho de cima.

- Mateus? Rafael? São três horas da manhã. Façam silêncio por favor.

Mateus parou o ataque e respondeu quase sem fôlego.

-Desculpe seu Heitor. Desculpe mesmo...

- Tudo bem, agora vão dormir. Se não, de manhã vocês não aguentam o trampo.

- Tá, desculpe mesmo. E boa noite.

- Boa noite.

- Que vizinho legalzinho esse, hein? Você é um garoto bem sortudo.

- Sortudo? - e pensou dentro de si que sim, realmente era sortudo - Nada... é porque sou bonito e charmoso... atraio muito as mulheres e assim todo mundo acaba querendo ser meu amigo - e deu piscadinha de um olho para ela.

- Um convencido, você. Isso sim... - eles riram baixinho mais uma vez.

- O seu Heitor é gente boa. Um segundo pai pra mim e um paizão que o Felipe não teve.

Helena sorriu e voltou a se sentar com as pernas esticadas. Mateus se ajeitou ao lado dela e eles só ouviam a respiração ofegante um do outro. Quando tudo voltou a se acalmar, Helena fixou o olhar no prédio da frente e disse bem baixinho.

- Faz muito tempo que eu não ria com vontade.

- Também, com um ataque de cócegas desses... - Helena sorriu e olhou pra suas mãos repousadas sobre as pernas.

- Você me faz me sentir segura. Com você eu sinto que posso ser apenas eu mesma e mais nada.

Mateus se manteve em silêncio, pensativo e sentiu seu coração disparar quando Helena encostou sua cabeça no seu ombro.

- Parece que a gente se conhece a tanto tempo...

E Mateus quis dizer que sim, que se conheciam a muito tempo... mas... talvez não fosse o momento.

E eles ficaram ali, em silêncio, até que a brisa da calada da noite trouxe o sono e adormeceram ali mesmo.

Aos amigos, visitante e aos de casa...

Ah galera...
desculpas novemente pela sumidnha tanto aki, quanto ao blog de vocês...
Mas sabem como é a vida, né...

bjOos em vocês.

14 de novembro de 2007

Contos de Blog - Parte IV

Mateus abriu os olhos e os esfregou para enxergar alguma coisa no escuro. Se levantou e espreguiçou. Coçou a cabeleira caracolada e olhou para a cama de Rafael.

"Meu Deus, como ele ronca!" - Mateus pensou ao perceber que com o calor que fazia somado ao ronco alto do amigo, seria impossível continuar dormindo e concluiu: "Mas vale a pena... não é todos os dias que se tem uma hóspede tão bonita."

Retirou a camiseta que vestia e a lançou em um lado do quarto. Pensou em calçar os chinelos, mas resolveu andar descalço. Abriu a porta do quarto e foi ao banheiro. Ao sair, percebeu que a porta do seu quarto, onde Helena dormia, estava entreaberta. Por um momento quis muito ir lá, vê-la dormir. Mas pensou melhor e desistiu.

Caminhou, então, para a cozinha, pegou um copo e se serviu de água gelada. Enquanto saboreava sua água gelada na garganta quente, pensava em Helena. Desde que pode ver uma foto sua em um site de relacionamentos na Internet, jamais esqueceu aquele rosto. Conhecia suas ideias. Conhecia um pouco do seu jeito pela maneira que escrevia. E agora, lá estava ela. Linda! Pele mulata. Cabelos longos, ondulados, volumosos e negros que batiam na cintura. Tinha uma boca bem desenhada e uma sinceridade presa no olhar. Sempre segura ao falar. Sempre charmosa. E agora, a garota que Mateus sempre achou impossível de conhecer estava ali. Na sua casa. Dormindo na sua cama.

- Cara, como eu estou com sorte - disse bem baixinho. Terminou de beber sua água e caminhou de volta para o banheiro. Acendeu a luz e olhou seus olhos verdes refletidos no espelho da pia. - E agora, você vai cuidar dela... - abriu a torneira e jogou água no rosto e depois se enxugou. - Mateus, Mateus - disse para si mesmo, se olhando no espelho - para de pensar nela ou você vai pirar.

Ele saiu do banheiro e foi para a sala. Olhou para a varanda que aparecia entre um movimento e outro da cortina que dançava com o vento. Fazia muito calor e uma brisa gostosa vinha lá de fora. Caminhou até a varanda e se escorou na sacada. Fechou os olhos e sentiu a brisa lhe beijar a face.

Foi quando olhou para o lado e percebeu que não estava sozinho.

- Helena? - falou bem baixinho, surpreso com ela ali, sentada no chão com as pernas cruzadas e as mãos repousadas no meio delas. A cabeça escorada na parede e virada para o lado com o olhar inerte nas luzes dos poucos carros e dos postes lá em baixo.

8 de novembro de 2007

Coisas de mãe

Coisas que a minha mãe fez esta semana que me deixaram meio abobada. - MEIO? Completamente!!!

*Em uma conversa noturna com minha mãe sobre emprego.
EU: ... Ah, a Riachuelo ligou pra mim. Ofereceu uma vaga pra ser uma daquelas mulherzinhas que te pergunta se você quer fazer cartão da loja. Como é mesmo o nome da função delas, mãe?
MÃE: Pra ganhar quanto?
EU: Ah, ainda não sei, a entrevista é amanhã... como que é o nom...
MÃE: Qual é o horário de trabalho?
EU: Segunda à sábado. Achei engraçado a mulher dizendo bem assim: "de segunda à sábado de baixo de sol e de chuva"...
MÃE: Então nem precisa ir...
EU: Quê?!!!!! - droga, pra que que eu fui falar essa parte?
MÃE: Você não tá passando fome, e além do mais, tem que trabalhar dia de sábado e a época de chuva tá começando...
EU: Mas mãe, meu cartão tá no vermelho e além do mais, tem um monte de coisas pra eu pagar... e eu nem vou poder ir no show dia...
MÃE: Você não tá passando fome!!!!

*Em uma conversa matinal.
EU: Que não sei o que, e blá blá e blá. A minha mãe me ama, Andreia??? - moça que trabalha aqui em casa.
MÃE: Amo nada, te suporto. É o jeito lembrar de você, se não vou ter que voltar lá e blá blá blá. Agora vai fazer o almoço que eu de folga.

*Hoje fomos eu, ela e meu irmão fazer compras do MÊS.
IRMÃO: Você não deixou os biscoitos e a bolinha do Norberto pra comprar esse colchão - inflável - não, né?!?
MÃE: É, tava na promoção, eu precisava levar...
EU: Mãe, ainda não acredito que a gente vai ficar sem LEITE por causa de um colchão inflável que terá que ser enchido na boca, já que não comprou a bomba de ar...
MÃE: Mas tava na promoção...


Mães, ?!!! Depois que a gente cresce, fica assim...

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Finalmente consegui tirar a maldita barrinha do final do meu blog. Agora realmente espero que nem o meu PC e nem o seu, caro amigo, visitante ou de casa, trave mais...
rrsrsrs

7 de novembro de 2007

Já sitei algumas vezes o grande-pequeno-mais-recente-amor da minha vida por aqui algumas vezes. O Norberto!

E antes que algum engraçadinho resolva falar que diachos de nome é este, saiba que a pessoa que vos escreve foi quem escolheu e lutou contra mamãe - a dona oficial dele, já que foi ela quem o comprou - por uns dois meses pra que este nome fosse escolhido. No fim das contas, até ela acabou chamando ele de Norberto, já que ele só atendia por este nome mesmo.

O Norberto chegou aqui em casa em um dia ensolarado. Pequenininho e espoleta. Tinha uma perebinha na orelha - que já foi curada. Mané gasolina que só ele. Não pode ver ninguém se arrumando pra sair que fica todo empolgado. Quer vê-lo ficar triste é não leva-lo.

Uma semana depois de sua estadia por aqui, descobrimos a sua paixão por banana. É ver a gente comer uma e ficar pulando nas nossas pernas pedindo um pedacinho, e outro e mais outro. E se você não tomar cuidado, a sua banana vai embora e você nem sequer sentiu o gosto.

Também gosta de outras frutas, legumes, vegetais, carnes e um monte de porcarias. Ração que é bom, que fica lá a disposição dele, não come. Só quando alguém põe caldinho de carne, porque se misturar com arroz, por exemplo, ele cata todo o arroz, mas não come ração.

Minha mãe vive brigando com meu pai pra não dá nada pra ele. Mas não adianta.

Aí, a gente tenta deixar ele por horas sem comer nadica de nada, pra na hora da raçãozinha dele, ele comer. Até que tem dado certo durante o dia, porque a noite, quando papai chega, faz a festa.

Falando em pai; achei que meu pai não ia gostar nenhum pouquinho de um cachorro dentro de casa, já que se ele fica lá fora, os grandes podem matá-lo (a gente sabe disso pelos latidos em tom de ameaça. O pior é esse pirralho todo metido a machão encarando.). Mas nada, meu pai adora ele.

Precisa ver os dois juntos. Onde um vai - pai - o outro vai atrás. Fica todo agoniado se meu pai chega e não vai direto vê-lo.

Você acredita que há três semanas atrás, papai chegou em casa com um tapete fofo de pele de carneiro. 50 pilas. E adivinha pra quem era?

Ganha um pirulito quem disse Norberto.

E isso é só uma das quinquilharias compradas pra este ser pequeno.

Ser pequeno que quando fico sem vê-lo por um dia faz uma faaaaalta.

É, o Norbeto definitivamente é o grande-pequeno-mais-recente-amor da minha vida.

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Logo, logo mais posts sobre este ser pequeno e grande querido.

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Pra quem acompanha o CONTOS DE BLOG - espécie de seriado deste blog, agora ele tem um endereço só pra ele:
contosdeblog.blogspot.com

Continuarei postando os textos neste endereço aqui, mas agora a Helena e o Mateus tem um blog só deles.

6 de novembro de 2007

E vida...

- Ângela?

- Oi?

- Posso te fazer uma pergunta?

- Pode.

- Você já esqueceu ele?

- Olha... - Angela não queria responder, precisava pensar rápido - praticamente já...

Porque as pessoas insistiam em fazer aquela pergunta? "Alguém podia chegar agora, neste instante." Mas para a sorte de Angela, a telefone tocou naquele instante, interrompendo qualquer pergunta que a amiga viesse a fazer novamente.

Quando desligou o telefone, a amiga já não estava perto dela, a permitindo ficar sozinha, pensativa.

"Por que eu vivo mentindo pra mim mesma? Por que eu nunca admito que não? Eu ainda não o esqueci? Por que eu simplesmente não falo que três anos não se esquece em quatro meses? Afinal, a quem eu quero enganar?"

"Ao mundo" - respondeu uma vozinha dentro de si - "mas você não consegue!".

"E por que eu sempre me faço as mesmas perguntas e depois respondo as mesmas respostas? E por que eu simplesmente não corto logo as pessoas dizendo que não quero mais falar sobre isso?"

4 de novembro de 2007

Contos de Blog - Parte III

Série Contos de Blog - parte I e II

Ele abriu a porta do apartamento que dividia com um amigo e abriu espaço para Helena entrar. Ficou meio sem jeito ao vê-la observar a sala. Um grande tapete vinho e fofo com um monte de almofadas grandes e pretas e uma pequena estante com a TV, DVD, aparelho de som e muitos, muitos discos de músicas e filmes. Uma cortina de cor mostarda balançava suavemente com o vento que vinha da varanda do apartamento, dando um charme e um toque de conforto ao ambiente.
Mas ele se sentiu tímido ao perceber que não havia dado uma geral e organizado tudo para passar uma boa impressão.

- Bem legal o "ap" de vocês. Tem uma carinha bem confortável e ... masculina. - ela se virou para ele rindo.

- É... não seria um "ap" de homens se não tivesse umas roupas, uns tênis por aí e... desculpa pela bagunça. A faculdade e o trabalho... sabe como é... a moça que trabalha aqui em casa está com problemas na escola do filho e tirou o dia hoje pra resolve-los...

- Tudo bem. - ela deu mais alguns passos, retirou a mochila das costas e as segurou nas mãos ao mesmo passo que ele fechou a porta - e você avisou ao seu amigo que eu vinha?

- Sim, avisei.

- E ele?

- Ah, não se preocupe... umas das razões do porque gosto de dividir o apartamento com ele é que ele é gente boa e bem responsável... não encrenca e nem se estressa com nada... Você deve conhece-lo à noite... eu não vou está aqui para apresentá-lo à você - ele pendurou as chaves no chaveiro simples de madeira que ficava atrás da porta e repousou as mãos na cintura - porque eu tenho faculdade, mas ele é legal. Já falei de você pra ele. O nome dele é Rafael, tem 23 anos e estuda arquitetura.

- Hum... e você?

- Eu? Eu faço biologia na federal.

Helena sorriu e fixou o olhar nele. Ela era assim. Não tinha medo de fixar o olhar em alguém ou em alguma coisa.

- Você sabe muita coisa de mim, né?

Ele ficou totalmente sem graça e riu sem jeito.

- É... um dia eu achei o seu blog nos favoritos de um outro blog. Comecei a ler seus textos e não quis mais parar. Aí quis saber quem era você e... apesar de não dar muitas informações pessoais à seu respeito... comecei a pesquisar sobre você em sites de buscas e de relacionamentos. Até que um dia, achei você em uma comunidade conversando com alguém sobre blogs e vi você sitar o endereço do seu. Quase não acreditei quando vi que era realmente você.

- Nossa! Acho que ganhei um fã de carteirinha - eles riram.

- É... você escreve muito bem, envolve a gente com suas histórias e suas opiniões de um jeito. Eles são engraçados e ao mesmo tempo sérios... e... sei lá. Deixa a gente em dúvida se os acontecimentos sitados eram realmente seus ou de outras pessoas...

- de outras pessoas. Não tem nehuma minha. Nunca gostei de expor minha vida na internet. Nem fotos, dados, intimidade, nada. Mas sempre observei muito o que acontece à minha volta...

- e escreve como se fosse com você. Como se fossem...

- os meus sentimentos. - ela sorriu. - Não, a minha vida é mais complexa, complicada do que a vida é por si só. - ela retirou os olhos dele e se virou para os vários filmes na estante. - Viciados em filmes?

- É. Os dois. E em música também.

- Legal. Percebi... fala mais de você.

- Há... eu nem sei por onde começar.

- Que tal pelo nome?

- Há, deculpe, desculpe mesmo... - ele passou a mão no rosto e deu uma coçadinha na nuca e depois estendeu a mão - Mateus. Tudo aconteceu tão rápido que... - ele deu um suspiro e ficou meio sem graça - prazer.

- Muito prazer Mateus - ela apertou sua mão estendida e ambos riram - mas você sabia que é contra a etiqueta o homem estender a mão para cumpirmentar a mulher ao se apresentar?

- Hãm????

Eles soltaram as mãos e ela riu.

- Mas tudo bem, quase ninguém sabe dessa besteira mesmo. Mas é assim. Quando as pessoas são apresentadas umas para as outras ou se apresentam, sempre o homem é apresentado à mulher, o mais novo pro mais velho, com a exceção de cargos religiosos como pastores, bispos, padres. Aí nesse caso, mulheres, mais novos ou mais velhos se apresentam à eles. A mulher é quem sempre deve estender a mão para o cumprimento e nunca beije a mão de uma mulher se ela for solteira. E... acho que só.

Mateus estava coma boca entre-aberta e a olhando sem graça.

- Ah... é... é bom saber... Bem, é... vo-você vai ficar com o meu quarto. Vem, me siga.

Ela franziu a testa e o seguiu por um corredor a direita. Passaram por uma porta fechada, mais uma e chegaram a uma última que estava aberta. Ele entrou e se virou.

- Esse é o meu quarto. Eu vou passar na casa dos meus pais e ver com a minha irmã algumas roupas pra você e depois a gente encaixa elas aqui no meu guarda-roupas.

- Mas, onde você vai dormir?

- Bem, por enquanto, eu vou dormir em um colchão no quarto do Rafael.

- E ele não se incomodou?

- Não. Foi ele quem sugeriu. Os quartos desse apartamento são grandes e o dele é um pouco maior que esse. Está tudo certo.

- Hum. Olha, eu não quero incomodar vocês, nem tirar o conforto de ninguém aqui, tá? Se quiser eu posso dormir lá na sala...

- Não, que isso. Você é uma hóspede.

- Bem... por enquanto...

- Por enquanto?

- É.... pelo o que percebi, vocês devem dar duro pra manter esse apartamento e ainda tem a faculdade. Não quero ficar aqui de graça... assim, somente vivendo uma vida boa. Amanhã mesmo eu vou procurar um emprego e...

- Nada disso. Bem, até concordo em você procurar um emprego, estudar. Mas essa semana a mocinha fica em casa se recuperando. Você estava muito mal ontem, portanto. Descanço, ok?

Helena não disse mais nada. Apenas sorriu. E repousou a mochila em cima da cama.

- Vem, vamos conhecer o resto da casa e depois bater um rango...

Mateus caminhou com ela pelo apartamento. Mostrou o banheiro que ficava entre o quarto de Mateus e a outra porta que estava fechada que era o quarto de Rafael. Passaram pela sala e foram direto para a cozinha, que era enorme. Ele mostrou a área de serviço, um quartinho onde ficava uma cama e um guarda roupas.

- Aqui é onde a Gigi fica. Ela vem todos os dias na semana pra dá uma geral por aqui, só não aos domingos. Mas ela não dorme aqui. Ela é gente boa, você vai ver. E aqui é ateliê do Rafael. Onde ele fica horas furnado desenhando casas, prédios e eticeteras e eticeteras.

- Bem legal o lar de vocês. Gostei.

- Eu também. Vamos comer? Suco ou leite?

- Humm... suco.