- Sim. Ele está bonito. Maravilhosamente bonito. Como tu estás - ela sorriu, corando a face, e o deixou que abraçasse sua cintura, enquanto caminhavam pelo campo verde da fazenda.
- Obrigada, Meu Caro Senhor.
- Não há de que, Bela Dama. Aliás, a mais bela que tenho visto nestes últimos tempos. Não me recordo de beleza tão pura, tão delicada - disse encarando o céu.
- Olha que eu acredito, Caro Senhor...
- Mas são palavras verdadeiras, Bela Dama. E olha que tenho visto muitas damas bonitas. Porém, cheguei a conclusão de que nenhuma dama supera tua beleza.
- Isso significa que tens olhado e pesquisado sobre outras mulheres?
- Sim Bela Dama. Não irei negar. Mas apenas para me certificar de que minha tese é absolutamente verdadeira.
- Tese, caro Senhor?
- Sim, tese Bela Dama. Uma tese de que não há, em lugar algum, moça tão bonita. Nem na Índia, França ou México...
- Vejo que tens viajado muito.
- Sim, tenho. Também fui do Pantanal e aos Pampas. Nada, nada é mais belo do que a senhorita, Minha Bela.
- Óh! O que é isto, Caro Senhor? Tantos elogios assim, chegam a me constranger.
- E te arrancas o mais singelo sorriso.
- Então, Caro Senhor, depois de tantas pesquisas, temo que devo dar-te um prêmio. Pois mereces, Meu Caro.
- E que recompensa seria melhor do que o teu doce sorriso?
Sorrindo, ela o respondeu calmamente.
- Um doce beijo, Caro Senhor.
E ambos pararam de andar. Ela ficou de frente para ele e lhe envolveu o pescoço com seus braços. Em movimentos delicados, uniram seus lábios e se beijaram. Beijaram como se não houvesse mais céu acima deles. Como se não houvesse chão. Mas era como se levitassem, carregados por borboletas e pelo vento fresco que batia em seus rostos.

- Bela Dama? - chamou ele, ainda de olhos fechados, ainda com a boca próxima a dela - Jamais me esquecerei deste doce mês de Setembro... Deste doce fim de inverno... E deste maravilhoso inicio de primavera.
- Nem eu, Caro Senhor. Nem eu.
E sorrindo um sorriso imenso por dentro e por fora, se beijaram outra vez.
[Julho de 2008]