sábado, 3 de setembro de 2016

Carta às amigas e amigos professores

Minhas amigas e amigos, colegas de profissão: lhes peço alguns minutos de sua atenção. 
Eis que nos chegam tempos já vividos em nossa história.
Ao iniciar a parte histórica datada em 1964, e, mais especificamente, a partir de 1968, o Brasil, nosso país, passava por um difícil confronto, em que a área da Educação sofria diversos ataques e desmontes da educação que Paulo Freire, os movimentos sociais, e os intelectuais do grupo de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro cerceavam – em linhas filosóficas diferentes, para nosso país. Tudo o que se avançara na Educação em termos de reorganização e valorização da educação e dos trabalhadores da educação, tomava um destino terrível em regredir.
Passados mais de 50 anos desde o golpe militar, a história se data novamente de um campo e cenário político extremamente delicado – das instâncias municipais, estaduais, federal; da educação infantil até o mais alto nível da educação superior. Novamente, a educação passa por diversos ataques que arrebentam com todos os avanços conseguidos até aqui (conquistas que não se devem a partidos - o mérito é da militância popular e do povo). Em meio à luta em fortalecer nossas conquistas, nos vemos entre pautas antigas em manter o que já foi aprovado, e em negar o que já foi rejeitado. Lutamos para que o governo desse país não transforme toda a educação em produto de mercadoria, matando o direito constitucional do acesso gratuito a uma educação pública – que ainda não é de qualidade, e que ainda não é laica.
A história vem se repetindo entre os retrocessos que vamos tomando. O objetivo: manter o controle sobre nós, classe trabalhadora. Como isso está acontecendo: retomando a educação infantil para o privado, limitando vagas para o fundamental e mais ainda para o médio, empurrando a educação de nível médio e superior para a mão privatista, por meio do discurso de que seremos “Havard”, quando na verdade o que nos espera são “Anhagueras”, que matam em sua essência a pesquisa, a extensão, e até o ensino. Volta-se a atacar e fragilizar a ciência, em nome de uma religião e religiosidade. Acaba-se com concursos públicos, expandem-se as contratações terceirizadas, fragilizando a carreira docente. Apostila todo nosso conhecimento e um padrão único e limitado a ser atendido, mata a criatividade – o ato de criar nosso trabalho. Questiona a importância da educação infantil, desprezando todo o estudo sobre essa base tão importante. Projetos de lei para punir, controlar, prender, calar o professor e a professora. Cortam-se verbas destinadas para as bolsas nos Institutos Federais (que estão sob a ameaça de virar sistema "S") e das universidades públicas – ensino médio, tecnológico e superior. Fala-se em valorizar o professor, mas não pelo ofício de seu trabalho, e sim, pelas medidas que nos empurram ao voluntariado, missionarismo, a valorização pelo cunho sacerdotal, religioso. Entregam a direção de nossas instituições a “outrem”, novamente. Só que dessa vez, não são militares, mas religiosos e capitalistas. Ordenham nossa educação com a finalidade única de atender a demanda do mercado. Sem essência histórica e crítica. Fábrica de salsicha, novamente. Opta-se por não investir, mas cortar a educação da nossa sociedade. Optam por matar o conhecimento científico e cultural da humanidade.
A estima não é das melhores. Os tempos são difíceis meus amigos e minhas amigas. Mas não podemos ceder. A história se repete pelo seu lado obscuro, repressor. Mas também se repetirá pelo seu lado libertário, emancipador. É nossa vez de resistir na história. De manter nossos braços atados e se impor como muralha forte que resiste pela força popular. E não há de se tomar postura em esperar pelo outro. Nós somos a classe. A classe é quem faz o direito para si, nenhum outro o fará. Somos nós por nós. É tempo de fazer trabalho de base - e este começa pela nossa sala de aula, pela conversa com os pais de nossos alunos, com os trabalhadores que encontramos dentro do ônibus. É a nossa vez de resistir nos tempos sombrios – ser professor nunca nos foi fácil, porque não é o sacerdócio que nos chama, e sim a militância. E a militância é caminho de luta e resistência. A história se repetirá pelo seu lado libertário, emancipador. Não hesitaremos em desistir agora.
Pois a educação não é mercadoria. Ela é direito e pertence a nós.
Um fraterno abraço de resistência e resiliência.
Ass: uma professora.

domingo, 21 de agosto de 2016

Coisas que eu queria que meu pai soubesse

Em 1998, a seleção brasileira de futebol masculino disputava a final da Copa do Mundo na França, e teve uma derrota feia, decepcionante. Me lembro com exatidão a expressão de decepção no rosto do meu pai. Grande torcedor do esporte brasileiro. Suas apostas, naquele dia, não foram as melhores. Mas meu pai nunca deixou de acreditar na juventude que representava o Brasil, nas disputas esportivas.
Hoje eu percebi como eu não acredito mais nas disputas esportivas do futebol masculino, e até venho torcendo contra. Pra mim está tudo sempre combinadinho. Mas pensei no meu grande pai. E sei que essa não seria sua ação. Porque meu pai era o cara que mesmo depois de muitas decepções e rasteiras, continuava acreditando.
Eu só queria que de alguma forma as pessoas soubessem que eu realmente estou me esforçando pra continuar acreditando - na vida, nas pessoas, nas coisas, nas escolhas... E queria que o meu grande pai soubesse que eu tô tentando seguir seus passos, seus princípios e ser a melhor pessoa que eu possa ser.
Hoje eu queria ligar pra ele pra dizer isso que eu tô me esforçando.
Que bom que a seleção brasileira de futebol masculino levou o seu primeiro ouro, e bem nas Olímpiadas Rio 2016.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Carta aos amigos e amigas militantes desse meu Brasil

Sobre a Educação no Rio Grande do Sul.

A condição de trabalho, carreira e salário no Estado do Rio Grande do Sul anda em estado de alarme e pede luta e resistência. Usando das ferramentas que incentivam um regime hierárquico, o governo do estado, Sartori, coibi e ameaça materialmente os professores que aderirem a greve, acatada em assembleia pela categoria: haverá corte de pontos. A nossa solidariedade a categoria docente do Rio Grande do Sul tem que mostrar apoio e incentivo: não será a primeira vez que governos ameaçarão nossa categoria em cima de nossos salários. O avanço vem com o arrocho na resistência em nossa ousadia em lutar. Ontem fiquei sabendo que uma escola decidiu por não aderir a greve, por conta de seus salários, que já estão em parcelas, como se fosse relação com as Casas Bahia.
Pois bem, a juventude nos deu banho de lição em ousadia, resistência e luta e não foi para a aula. Aderiu a greve em nome de seus professores. 

Procurando por notícias na internet, me deparo com a ocupação de 20 escolas pelos estudantes secundaristas, e até uma escola que teve seu nome alterado em uma assembleia estudantil (de Costa e Silva, passa a se chamar Edson Luís, estudante morto durante a ditadura militar de 1964), dizendo que chegará o momento em que não haverá mais nome de ditador sendo homenageado nesse país.
A escola pública nos pertence.

Todo apoio a luta dos professores e dos estudantes secundaristas do Rio Grande do Sul.

#ocupaeresiste #ocupatudo #educaçãonãoémercadoria


domingo, 15 de maio de 2016

Sobre esse 13 de maio que não pode passar despercebido.



A Princesa Isabel é referendada nos livros didáticos como grande heroína da abolição da escravatura, após aproximados 350 anos de escravidão de negros e negras, trazidos da África.
O que os livros didáticos, encabeçado pela ideologia positivista, liberal e da direita, nunca nos contaram é que uma grande parte dos negros e negras já não eram mais escravos. A alteza do passado apenas cedeu a pressão internacional do grande famigerado capitalismo que precisava de mão-de-obra que sustentasse o mercado - tanto trabalhando sob um baixo custo ao suor de muito trabalho, quanto consumindo.

Os livros didáticos também não nos contaram sobre como os movimentos abolicionistas e quilombos ganhavam força na luta pela condição de escravo dos negros e negras. E que este tiveram grande importância na luta, até que o 13 de maio se concretizasse.

E o que mais me indigna e entristece é que o 13 de maio se concretizou após duas décadas alforriando legalmente os negros e negras da condição de escravo, e não houve sequer alguma medida do Brasil Império para que a população negra tivesse condições de sobrevivência e de viver uma real liberdade. Desde que o processo de alforria de massas de negros e negras se inicia no nosso país, esta população foi sendo expulsa das fazendas, sem trabalho, sem moradia. E foi constituindo suas comunidades urbanas e rurais marginalizados dos direitos civis e perseguidos pela justiça e poder de polícia - como ainda são.

Somente com muita luta, essa população teve direito a ser inserida nas escolas públicas, na década de 1920, já no Brasil República. E ainda assim, em condições de resistência. As condições para inserir a população negra com efetiva matrícula na educação pública, tanto de crianças e adolescentes, como de jovens, adultos e idosos, se concretiza com veemência e aumento quantitativo, há 22 anos, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1994.

Mas esse 13 de maio ainda tem muita luta para se marcada e conquistada. Pois a população que entra na taxa de desistência da escola pública tem não apenas classe, mas uma representatividade massiva em negros e pardos (seguindo a estimativa do IBGE).

Esse 13 de maio ainda não tem a integridade do que se merece ser conquistado: pela situação de vida e vivência das favelas brasileiras, dos quilombos, e população pobre do campo. E não tem porque na luta, brancos como Princesa Isabel são tratados como heróis. E não a população negra que sofreu e ainda sofre consequências de uma elite que enriquece as custas da exploração.

Viva o 13 de maio!
Em memória da nossa marcha, até que sejamos livres.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

#MeuAmigoSecreto

#meuamigosecreto é desses que tem curso superior, mestrado, é professor e militante das causas populares, que por várias vezes pediu a companheira para fazer um debate sobre gênero na comunidade que atuava, mas sequer a escutava quando ela pedia para parar de passar cantadas e olhar as mulheres na rua, como carne fresca no mercado, e fazia essa atrocidade mesmo na frente da mina.

#meuamigosecreto nunca aceitou que a mina fosse liderança e tivesse uma voz mais escutada e articuladora dos movimentos a que ambos faziam parte, por vezes, até provocando brigas e a fazendo passar de louca, e dizendo que ela era bipolar.

#meuamigosecreto usava da intimidade para marcar território na frente dos amigos, passando a mão em público, coisa que a mina não curtia. #meuamigosecreto nunca respeitou o corpo e o "não" da mina, o que a fez, por várias vezes se sentir infeliz consigo, sem entender o que acontecia. A verdade é que o desrespeito ao seu "não" a oprimia de tal forma, que ela se sentia suja.

#meuamigosecreto não foi o único motivo, mas suas ações opressoras desencadeou uma depressão na mina, o que a forçou a fazer acompanhamento psiquiátrico e tomar medicação, escondida de sua família e amigos, pois isso mostrava o quanto ela era fraca, e ela não podia ser fraca, porque era uma mina feminista.

#meuamigosecreto foi tão "bom amigo", que no período mais intenso dessa doença, ele brincou com os sentimentos dessa mina, o que a fez querer trancar seu curso superior e quase desistir de todos os seus objetivos, achando que o ambiente em que conviviam a fazia se sentir mal, quando na verdade, o tempo inteiro, era ele quem a fazia mal.

#meuamigosecreto nunca aceitava as coisas que a companheira fazia, raramente elogiava, sempre criticava, colocava defeitos, acabava com sua estima, mesmo ela tentado fazer o melhor de si para agradá-lo, o que inclui as funções de Amélia como cozinhar, limpar, lavar em uma casa que nem era sua. Por várias vezes jogou amigos contra ela, pois se fingia de desentendido das atitudes que tomava, e se colocava numa situação de vitimismo. Essas atitudes só cooperaram para jogar a estima dela no chão, e ser parte de um jogo de manter sua superioridade a ela, afinal, ele estava sendo o melhor amigo e companheiro, apontando o que ela fazia de errado, e que para ela, melhor pessoa não havia.

#meuamigosecreto, por várias vezes, em viagens, a fez passar risco de segurança a sua sexualidade e feminidade, a deixando andar por locais perigosos, pois ele tinha mais o que fazer a se preocupar com sua vida.

#meuamigosecreto se passou de bom moço para a família dela, para os amigos dela, e ela, no seu jogo, sempre teve vergonha de dizer que ele a maltratava. Na verdade, ela se sentia tão mal, que trazia a culpa de todo o maltrato para si. Essa mina, na verdade, foi vítima, por anos, de uma violência simbólica sem saber, pois ele, cuidadoso, jamais usou de gritos e nunca lhe levantou a mão, mas usava de beijinhos, abraços e carinhos, o que a confundia.

#meuamigosecreto a julgou quando ela cedeu a doença, e tomou atitudes drásticas, e levou sua doença como frescura, brincadeira, charminho.

#meuamigosecreto conseguiu fazer a ex-namorada e a atual namorada serem inimigas dessa mina. Mas #meuamigosecreto nunca conseguiu torná-la inimiga das tantas outras mulheres com quem ele usava para provocar ciúmes. #meuamigosecreto inclusive seduziu uma delas e a levou a fazer coisas que ela não queria. A sororidade feminina levou ambas a chorarem juntas.

#meuamigosecreto plagiou um trabalho dessa mina, tomou para si, e lhe negou direitos autorais. Mas a enganou, e a seduziu, e usou de sua condição de macho-alfa para lhe pedir para escrever sua monografia. Essa mina ajudou na construção do texto, na análise de dados, na busca de fontes e leituras, mas se negou em sentar e passar horas escrevendo, e não recebeu um obrigado de volta, mas desprezo por ela não ter feito exatamente como ele queria.

#meuamigosecreto a oprimiu de tantas formas e tantas vezes que a fez esquecer o quão boa pessoa era, e não o lixo que ele ignorava.

A verdade é que para #meuamigosecreto nós mulheres nunca passamos de mercadoria, objetos de prazer sexual e dominação para ele se sentir o rei entre leoas.

#meuamigosecreto merece ser desmascarado da pele de cordeiro para os que ainda não perceberam, pois quando essa mina rompeu qualquer laço com ele, os amigos mais próximos bradaram felizes, comemorando sua emancipação.

E mesmo após alguns poucos anos desse rompimento, outros tantos não entendem o porque nem um “oi” essa mina lhe direciona. Há tantos motivos, que as pessoas apenas precisam entender: essa mina não quer se relacionar com capitalistas da carne humana feminina.

Essa mina não derrama mais nenhuma lágrima por essa história. Mas sabe de todas as cicatrizes e sequelas dessa relação, tanto que não consegue respirar direito, quando ainda topa em algum ambiente com ele.

E há quem vá ignorar a violência simbólica que essa mina sofreu nas mãos do #meuamigosecreto. Mas talvez você leve a sério ao saber que essa mina preferiu a morte, e a tentou, a ter que sofrer o rompimento da relação, pois não queria mais sofrer um dia por esse cara.


Essa mina, hoje, viva e dona de si, depõe para tantas outras minas, as opressões que sofreu, para que em marcha, juntas, sejamos livres!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Sobre Sacis e Crianças de Rua

Em comemoração ao folclore brasileiro, todos os anos, em meados do mês de agosto se trabalha nas escolas lendas, parlendas, entre outras manifestações culturais. Em meu primeiro ano de docência, a escola em que trabalhava na época decidiu por ainda encerrar o bimestre com cada turma apresentando uma peça de teatral. Foi um dos momentos mais ricos de aprendizagem cultural para as crianças. E, particularmente, para a minha turma, também foi um período de fortes aprendizagens político-sociais: nossa turma escolheu apresentar a obra “Os 10 Sacizinhos”, de Tatiane Belinky.
Entre as nossas aprendizagens sobre diversas histórias da cultura popular, trabalhamos com Tarsila do Amaral e as suas representações da figura da Cuca e a expressão da lenda relacionada a outras obras da artista, que se remetem ao trabalho. Trabalhamos também com Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato e todas as possíveis discussões e representações sociais e imaginativas presentes; inclusão social com questões referentes ao racismo, negritude, pessoas com deficiência e o uso de drogas. E para além disso, ainda deu para trabalhar sobre a realidade de crianças de rua.
O que quero chamar a atenção para esta postagem, não se remete em especial ao quanto aprendemos naquele bimestre (especialmente eu, como professora). Mas sim, a realidade de muitos Sacis presentes em nossa sociedade. Sempre tive um incomodo muito grande da figura travessa retratada ao menino peralta de uma perna só. Sempre me apareceram questões sobre o fato de ser uma criança órfã, cuidada e ajudante de uma figura folcloricamente temida: a Cuca.
Comecei a procurar associações dos nossos meninos de rua com o Saci, sem sucesso de encontrar qualquer estudo fazendo relações, após descobrir em meus estudos que os botos cor-de-rosa existem entre os povos Amazônicos, disfarçando a violência que meninas adolescentes, jovens moças, mulheres sofrem dos homens familiares ao seu convívio.
O Saci está presente em nossa realidade como os meninos peraltas, esquecidos pela sociedade, transfigurado em diabinhos, e por isso, uma desculpa para odiá-los e torná-los marginalizados aos nossos convívios. Serem negros, vir de onde ninguém sabe e desaparecer sem deixar rastros, usarem um cachimbo e ter mãos desfiguradas não são meras semelhanças, se não, formas culturais que nosso povo foi criando para desaparecer com a realidade de crianças desfavorecidas, ou ainda, quem sabe, de fazê-las lembradas, ainda que por suas peraltices, mas, presentes na sociedade brasileira.
            Esse texto não tem uma pesquisa científico-acadêmica por trás, se não, fruto das reflexões de uma professora classista, tomada a partir das demandas de sua turma. Meninos-sacis de rua estão por toda parte. Basta olharmos seus roda-moinhos de ventos, e o abandono na história concreta de nossa sociedade, cuidado por figuras malévolas, que se favorecem de suas peraltices. As Cucas de nosso Brasil são reais com direito a nomes, uso de armas e colarinhos, e detém poder de formas diretas e indiretas.
A lenda do Saci ainda se torna mais real em minha cabeça, ao associar com a história de meninos de ruas, que andam e sobrevivem em bandos, retratadas no romance de Jorge Amado, Capitães de Areia. Ninguém os pegava, não sabiam de onde viam, para onde iam, mas uma cidade inteira os odiava, lhes confinavam a cadeias, lhes esqueciam ao abandono da própria sorte, esquecendo-se do direito a cuidados, estudo, saúde, lazeres...


Foto: Autor desconhecido. Local: Distrito Federal.
Imagem coletada em busca livre na Intenet.


Começo a cada vez mais a achar que toda lenda tem um fundo em si, de verdade, nascida para obscurecer ou amenizar uma tão dura realidade de um povo. O apelo aqui é para que tornemos visíveis os nossos reais Sacis, que peraltam por aí, para sobreviver e reagir ao esquecimento que nossa sociedade lhes força a conviver.
Não sei se pelo abandono familiar e social a que tem direito uma criança, pelo cachimbo em suas mãos, ou pela negritude da sua pele, sei apenas que sempre me simpatizei com essa figura. Tenho limitações quanto ao que fazer. Mas de fato sei, eles existem, e não passam despercebidos aos meus olhos. Jamais passarão. Eu acredito em Sacis. E o mais perigoso: acredito em sua juventude!

*Caso queira saber mais sobre o planejamento bimestral dos conteúdos trabalhados, envie um e-mail para deise.rocha@hotmail.com. Terei o prazer de fazer uma troca de ideias. 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Professores do Brasil, uni-vos

     Sou professora. Professora-pedagoga. E muito diferente do que escrevo há anos, quero fazer um desabafo, em linhas que se distanciam da escrita acadêmica. Não quero escrever por citações e apresentar dados. Quero escrever por mim mesma. Quero ousar em dialogar com você, meu caro colega professor e minha colega professora. Quero fazer um desabafo-barra-relato-barra-reivindicação: para além de vestimos preto nessa segunda-feira, como um ato político nacional em solidariedade a nossos colegas professores em luta, é preciso discutir nossa conjuntura política e condição de trabalho, historicamente localizada, enquanto categoria, e os desafios que enfrentamos. E nos unir como nosso maior ato político e pedagógico - e isso requer grandes esforços, e sair da nossa comodidade. Pois nada vai bem... Vivemos em tempos difíceis. 


     Muito me entristece, mas muito mais me preocupa sobre a situação de trabalho no nosso país, sobretudo, do trabalho docente. E não só porque somos nós os profissionais responsáveis pela formação dos profissionais de outras instâncias de nossa sociedade. Para além disso. Me preocupa para além da luta cansativa, travada desde que se decide ser professor, desde o século XIX, nesse país. Me preocupa pelo direito roubado em ser trabalhador.

    Há meses, professores de vários estados e municípios do Brasil fazem reivindicações, essas mesmas, que os professores do Paraná fazem. Há meses, parte de nossa categoria de trabalho se encontra em greve, atos, reivindicações. Há anos, séculos, a bandeira é a mesma. Pensamos que estamos melhorando, que estamos avançando. Mas a verdade é que há muito o que fazer, pois ainda estamos perto da faixa de largada, de onde partimos nesses enfrentamentos seculares. 

    Demiti-se professores no Pará. Agride-se professores no Paraná. Silencia-se professores em Santa Catarina. Nada se comenta das condições de trabalho dos professores de Pernambuco. Reduz-se do salário dos professores da Paraíba. Denigre-se a imagem dos professores de São Paulo. Corta daqui, reduz dali. Parcela o pagamento no DF. Privatiza a gestão das escolas no Goiás. Só se contrata professor temporário no Mato Grosso do Sul. O Estado fecha os ouvidos para as reivindicações do plano de carreira - em total desvantagem em comparação com as demais carreiras de servidores públicos. E no fundo quando vamos ver, as privatizações estão se espalhando, professores do Goiás e do Rio de Janeiro apanharam da polícia meses, semanas antes que os professores do Paraná. Professores na Paraíba e em Pernambuco tem seus salários parcelados. No Pará, o contrato temporário e a redução do salário reina. São Paulo passa por grandes enfrentamentos para a valorização da carreira, e Mato Grosso do Sul continua esquecido assim como tantos outros. Assim como nosso professorado. No fim, essas lutas não são isoladas. Elas atacam e sucateiam a nossa educação, a nossa profissão, o nosso trabalho. Nossa estima é atacada. Somos nós, professores, os incompetentes.

     Andamos em passos de formiga. Temos 10% do PIB brasileiro que deverá ser destinado à educação em 10 longos anos de muita luta do sujeito individualizado chamado professor. Temos um sindicato da categoria, algo proibido para o professorado até o final da década de 1980. Temos um salário piso de R$ 1.917,78, que em muitos estados, nem o teto chega a ser. Temos a conquista de dedicação exclusiva (em poucos estados) para trabalhar 40 horas semanais, com direito a carga de coordenação/preparo do ensino - por sinal, uma das menores no mundo, professor brasileiro tem sido o que mais trabalha - mas que é  totalmente usado para exploração econômica do estado. Temos o direito a concurso público, desvalorizado na terceirização e na contratação temporária, facilitando o "jogar" a categoria contra si mesmo. Temos o direito de ir para a rua reivindicar e apanhar de um trabalhador em sua vestimenta opressora, à serviço de um Estado imperialista. E o imperialista não tem servido a um só lado. Apanhamos independente de qual tem sido o partido que governa o Estado.

     Temos um ocorrido que vira auge em meio a essa luta: mais de 100 professores atingidos e feridos, numa reivindicação grevista da categoria, na semana passada, em pleno ano de 2015, século XXI. A verdade é que a violência simbólica é muito mais destruidora. Ir dar aula para 35 crianças numa classe de alfabetização sem o menor amparo do Estado para lidar com as diversas "relatividades" da realidade encontrada em cada criança, é uma pura violência. Usar a criatividade para dar uma aula bacana e não ter recurso para executar e ser acusado de que a educação vai a falência por sua incompetência de professor, é uma bala de borracha fácil de encontrar em nosso peito. Jogar vários adolescentes "problemáticos" dentro de uma mesma escola, e dizer ao professor para cumprir sua obrigação profissional, e sequer garante a assistência a uma juventude que não despe sua história e seus problemas sociais ao entrar na escola.

     Devíamos estar avançando. Sim, devíamos... Encontrar 15¹ estados deflagrando greve da categoria de professores, não é inédito e avassalador. É revoltante. Apanhar do estado em atos/protestos em que se tem mais policiais do que professores é instigante a pensar concretamente sobre a realidade, para entender o que está acontecendo. E eu me pergunto: o que está acontecendo?

     2015 anos d/C (em um calendário Cristão) de luta e vivemos uma sociedade mais truculenta, fundamentalista e sectarista, do que em meados do século XVII, XVIII, onde se lutava para ter alguma voz. Me dói, mas preocupa mais ainda pelo o tanto que somos silenciados no cotidiano do trabalho, mas também, no cotidiano da luta por condições dignas do nosso esforço de trabalho como docente.

     A verdade é que vão os dedos e ficam os anéis, porque a economia, o capital, o poder é mais importante do que o sujeito, do que o estudante da escola pública, do que o professor e a professora, trabalhadores por um direito do sujeito em ser sujeito cidadão. Manter a ordem e o progresso a todo custo interpele fazer propagandas enganadoras de que a educação é prioridade, mas corta-se verbas destinadas aos recursos para dar aula e trabalhar no ensino público - e olha só, a educação é sempre a primeira instância social que tem corte de verbas, inclusive, dos salários de seus profissionais.

     Vivemos em um Estado que usa de todas as artimanhas e ROUBA DIREITOS. E a quem podemos recorrer quando a instância chega no auge da agressão física, do corte de salários, cortes do direito de viver bem na sociedade do capital, em que os juros do cartão de crédito e da conta de luz não vão esperar o parcelamento em 12 vezes sem entrada e sem juros que o governo faz com nosso meio de viver, como se fossemos produtos à venda nas casas bahia.

     As vezes penso não entender nada, noutras, de que não tem o que se fazer. Junto com os dedos, vai a esperança. Faz parte de nossa resistência e luta cotidiana discutir classe trabalhadora do professorado em nosso país. Chego então a resposta de minhas indagações e ponto de partida para combater minhas descrenças. Trabalhadores, uni-vos, o diálogo de uma categoria nunca foi tão mais preciso. Conscientizar-se de que diante do estado de nada tem valido as hierarquias criadas historicamente dentro de nossa profissão, quando a bala de borracha e a bomba de gás lacrimogêneo nos atingem. Todos enfrentamos descasos, todos lidamos com as precárias condições de trabalhos, todos lidamos com um enfrentamento na qual lutamos sozinhos diariamente. 

     A verdade é que as melhores condições de trabalho são conquistadas por nós. Se não o fizermos, ninguém o fará. Estamos aqui, porque situados em nossa história, são nossas gerações passadas que as conquistaram para que pudéssemos falar. Resistir é preciso, lutar faz parte de nós. Não nos deixemos ser silenciados. Se nos condicionarem ao tempo de greve, a classe precisa fazer por essa escolha. O tempo que se passa em greve, meus caros colegas, não é nada diante de 300 anos de tanta luta que se trava nesse país, por uma educação pública e valorização do trabalho da categoria de professores. Mas é uma somativa importante para nosso processo histórico. Avante em GREVE!

     Professores do Brasil, uni-vos. Talvez esse seja nosso maior ato heroico, político e pedagógico. Educação é luta cotidiana. A disputa por consciência e educação é nosso campo de batalhas.

¹Até a data de hoje, o CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação relatou greve nas redes estaduais: Alagoas (PMDB), Amazonas (PROS), Bahia (PT), Ceará (PT), Goiás (PSDB), Maranhão (PCdoB), Pará (PSDB), Paraíba (PSB), Paraná (PSDB), Pernambuco (PSB), Rio Grande do Norte (PSD), Rondônia (PMDB), Piauí (PT), Santa Catarina (PSD), São Paulo (PSDB). Os estados destacados em azul já se encontravam em greve, antes da agressão da polícia de Richa (PR) aos professores em greve.
² A imagem ilustrativa deste post foi coletado livremente na Internet. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


Ás vezes você precisa cuidar do fim da história sozinha!

sábado, 14 de abril de 2012

Do meu tributo


A fortaleza que remetia o exemplo do saudável, sede ao natural da vida. E o senhor se vai para uma nova jornada, deixando nesta aqui, os que precisam continuar trilhando entre doces e amargos gostos que a vida traz.

Que bom que ficam as lembranças. E nessas horas, ficam apenas as boas. Como a dos olhos acolhedores no dia que talvez tenha sido o mais difícil de minha vida.
E que eram os mesmos olhos amorosos no dia em que reunia toda a sua família, em volta de uma farta mesa, no último dia dos pais.

Restando então, o amor: para consolar tanta dor.
Que bom que fica o amor.

[Tributo ao meu avô, que foi pro outro lado, nesse dia de hoje].

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Entardecer pra escurecer

O Sol se põe devagar.
Vermelho, vivo.
Como só ele sabe ser.
Misturando-se a tantas cores, tons.
A sons e cantos.
Vibrando energias
Para quem lhe admira.
Se emaranha
Por entre as tortas árvores do cerrado.
Escondendo o calango
E acedendo o vagalume.
Esfriando a secura.
Em charme e em danças.
Compondo músicas,
Recitando a poesia,
Louvando a vida.
E assim ele se vai devagar.
Parando de raiar.
Cessando a clareza do dia,
Deixando de iluminar.
Deixando outra dança,
Em outro ritmo
Entrar.
É outro espetáculo
Que se inicia brilhando
Hora em fases mais discretas.
Hora em fases mais espertas.
Permitindo o lobo-guará,
Uivar
Para o seu luar.
E assim se vai mais um dia.
E assim se faz mais uma noite.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Coração voou
 feito balão



carregado pelo vento 
sem rumo ou direção.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

tem gente aqui,
minha gente
morrendo de amor!

Ah!
Agarrei-me no abstrato. Inventei céus e terras só pra tentar esquecer alguém. Por enquanto, só o que posso adiantar é que ajuda a não pensar na verdade, de tão boa que é a mentira inventada pro meu próprio coração. E tem doído bem menos. Se der certo, te conto a nova fórmula de esquecer alguém mais rápido.  
"No dia em que ocê foi embora..."
(Lenine)


Ai você descobre, que só o tempo pra fazer dar certo.E às vezes, nem ele.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Surto! Susto!

Loucura.
Insanidade.
Loucura, loucura...
Insanidade, insanidade...

Azul, amarelo, verde, bolinha faz com quatro. Transforma em laranja. Batuca, batuca mais forte. Põe ritmo. Responsabilidade, irrelevante. Come mal, não dorme... Água, água, água... Cansei! Desanimei! Não quero mais. Ou quero? Não sei. Mil conversas na minha cabeça. Pulo. Agito. Peço silêncio. E todo mundo continua falando dentro da minha cabeça. Frio. Frio. Frio. Esquentou. Caíram todas as folhas. O vento soprou forte. Derrubou. Acabou. Ahhhh!

Surtei!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Meu com o Seu

O meu no seu
-->
Então deixa eu me envolver
Em você, 
Sentir o seu prazer
Incendiar o meu corpo 
No seu corpo.
Deixa eu lhe esquentar
O seu tédio matar
E entrelaçar 
O meu gosto 
No seu gosto.
Roçar o meu seio 
No seu peito
Sentir sua saliva 
Me acariciar
Suas mãos 
Me envolverem com jeito
Deixa a sua pele macia 
Me tocar.

Fala ao meu ouvido
Segredos 
Que só a gente vá entender
Toma para si 
O meu corpo esculpido
Para serventia 
Do nosso prazer
Toca a minha nuca 
E alisa meus cabelos
Que eu colo o nosso corpo, 
Nossos pêlos
E a minha paixão 
Na sua paixão, 
Se encaixar.
E em movimentos singelos 
Nos doarmos
E de suor, prazer e paixão 
Transbordarmos
E o meu com o seu, 
De amor delirar.

(Dezembro de 2008)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Junto ao Outono

Tenho versos
Para o outono
Implorando para 
Que o novo ano
Mova forças
Junto aos deuses
Para que me 
Desapaixone
Desapegue
E voe na dança
Ensaiada sobre
A leveza que essa
Estação nos traz
Junto as folhas
Que nela caem

(26 de março)



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

E ontem seria o seu 47º aniversário.

Lembrei o dia inteiro, lembrei com saudade!
E nem contei pra ninguém.

Lembrei que em seu último aniversário teve festa com direito a carro de som e tudo o mais. E eu nem estava, porque haveriam outros. E eles existem, só que sem a sua presença. E me arrependi amargamente.


 Feliz Aniversário!   
Com beijos de muita saudade.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um dia bonito

Fazia um dia bonito lá fora.
Mas dentro ainda havia a tempestade. Toda a sua felicidade havia ido embora, carregada pelo vento e pela água da chuva, de dias passados.
Ele acariciou a cabeça de seu cachorro e partiu, deixando a casa sobre os cuidados de seu amigo e único companheiro, agora, naquele lar. Resolveu deixar o carro também. O dia estava bonito. Merecia ser aproveitado de outra forma. Não sabia por quê, mas merecia.
E foi andando.
Passou por tantas pessoas na rua e na estação de metrô.
Havia muita diversidade de pessoas ali, em sua cidade, mas nunca havia percebido. Ficou pensando tanto nessa diversidade que se esqueceu da tristeza que havia dentro de si.
Foi quando, saindo da estação do metrô, que ele avistou pessoas vestidas igualmente. E em cada camiseta que vestiam, havia a mesma pergunta estampada. Ele ficou parado lá, olhando aquelas pessoas fazendo, de uma maneira muito interessante, o bem a tantas outras.
Então, surpreendentemente, ao invés de seguir seu rumo, ele foi em direção ao grupo, em especial, a um deles, o que estava mais distante. E sem apresentações formais, ele apenas disse que queria.
E foi abraçado. E envolvido naquele abraço, chorou. E ao começar a chorar foi envolvido pelo grupo inteiro. E ele chorou mais ainda. E em cada lágrima, sentia seu corpo se limpar da tristeza.
Foi o melhor dia da vida dele, desde então.
E era isso o que muitos comentavam em seu trabalho. Embora não soubessem o por quê. Apenas viram explícito em seu sorriso.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Primavera se foi...

Primavera se foi
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“E com ela o meu amor”.

- Você anda diferente.
- O quê?
- Você anda diferente.
- Eu?
- É, você.
- É. Pode ser.
-...
- O que é? Vai ficar me olhando?
- Tá, acho que preciso soltar logo, tudo de uma vez.
- Como assim?
- É que tem tanta coisa acontecendo e eu e você parecemos mais dois estranhos do que duas pessoas íntimas.
- O que você quer dizer?
- A gente ta juntos há cinco anos e...
- 6 anos!
- É... seis anos e... Não tem mais o mesmo gosto. A gente se vê pouco e quando se vê é isso, esse silêncio.
- Se sente como se estivesse com outra pessoa?
- É... exatamente isso.
- Talvez porque a gente tenha crescido juntos nesses últimos anos e quando resolvemos nos focar em nossos projetos, passamos a nos ver pouco e não percebemos o quanto amadurecemos... Não, é?
- Não sei. É meio estranho está com você agora e a gente nem conversa direito e sinceramente, eu não tenho sentido prazer de estar com você e...
- E?
- Eu não sinto mais saudade sua e eu sei que amo você, mas não sinto.
- Como assim?
- É complicado explicar.
- E o que você sugere, então?
- Um tempo...
- Um tempo?
- Ah! Não chora. É só um tempo pra gente...
- Um tempo?
- A gente precisa, antes que isso que a gente sente um pelo outro, morra de vez.
- Em mim continua vivo!
- Vivo e fraco. E eu não disse que está morto, mas que está morrendo. Eu não quero te perder.
- E você acha que eu quero perder você?
- Não! Por isso é melhor esse tempinho, pra gente voltar e sentir saudades e voltar a sentir amor.
-Ta. Tudo bem. Não adianta eu dizer que não, né?! Só me faz um favor?
- Por você? Faço.
- Guarda meu coração com carinho. Eu te amo, tá.
- Também. E muito.
(Outubro de 2008)

sábado, 10 de outubro de 2009

5 e um pequeno Tributo

Desde pequena me pergunto:
Por que o 5?
Sempre gostei – ou melhor (!)
Tive obsessão por esse simpático número
Fosse ele acompanhado ou puríssimo de outros companheiros
Sempre o achei mágico, divertido.
Às vezes me perguntava se era pelo 25.
Por que 25?
25 foi o dia em que nasci.
Mas não é o 25 em si.
É o 5.
Os anos se passaram e eu cresci com esse misterioso gosto pelo 5.
E continuo...
Gosto mais de quintetos do que de trios e quartetos.
5 é início de uma animada galera.
É mais fantástico falar 5 línguas.
E olha só: 5 é dia de pagamento.
Mas 5 também era o número do meu porto seguro.
Era. Éramos 5!
Diminuímos.
Passamos a ser 4, e depois menos 1...
3!
3... Nunca me simpatizei com este.
É número burguês,
É pequeno, não é número de família.
É número de coleguismo.
3 me causa dor, causa angústia.
Gera uma raiva cega
Que não se destina a ninguém.
Nem mesmo a 3.
3 não demonstra afeto
Mas passa agora a ter que ter.
Tem que ter força também.
Muita!
Porque 3 é número de luta.
E é sob essa condição que tenho que achar novos rumos
Novo chão.
Fixar nele a idéia nova de porto seguro.
Mas e o 5?
5 será sempre a minha família.
O meu eterno amor.
Número de pura alegria.

[Tributo a minha mãe e ao meu irmão caçula. Mas também ao meu pai e ao meu irmão mais velho. Porque são eles que compõe o meu 5]
[Escrito em 5 de outubro de 2009, em dias de doloroso luto]